“Na Grã-Bretanha por volta de 1824 surgiram empresas de fundo acionário como essas: a Metropolitan Bath Company foi criada para canalizar água do mar do litoral para Londres, oferecendo os benefícios do banho em água marinha para quem não tinha condições de pagar uma estada em balneários. Outro empreendimento, a London Umbrella Company, prometia livrar as pessoas da ‘inconveniência de carregar guarda-chuva quando o tempo está bom e de não ter um à mão quando chove, estabelecendo vários “postos” na City londrina e em West End que forneceriam guarda-chuvas para alugar a preços módicos.(…) como em períodos especulativos anteriores, a maioria das empresas foi estabelecida com o único e exclusivo objetivo de beneficiar seus promotores”
Chancellor, Edward. Salve-se quem puder; uma historia da especulação financeira P.130

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A grande idéia do turismo, levada adiante pelo cigano Melquiádes, passou a dominar o imaginário geteiense tomando diversas formas.
Em verdade, os resultados da laguificaçào foram os mais visíveis. Estes continuam sendo uma boa fonte de poder e popularidade para o Imperador na formula; inaugurar um a cada ano (em alguns casos inaugurar um “grande lago” pode ser um evento para muito tempo: 1a etapa, 2a etapa…).
Se os lagos são as formas mais visíveis da corrida para o turismo, outras transformações também ocorreram ou foram projetadas.
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A especulação em torno da idéia de turismo trouxe de várias partes do mundo pessoas dispostas a ganhar dinheiro. Esses forasteiros tiveram que concorrer, no entanto, com a ganância da própria nobreza geteiense que viu aí uma grande oportunidade para faturar em cima da imperial utopia.
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Pequenos, médios, grandes projetos foram apresentados como a soluçào para trazer turistas à GTI.
Uma fila enorme de proponentes marca(va) hora na porta do palácio imperial. Geralmente os que conseguiam trazer suas propostas para apreciação dentro do palácio sofriam a triagem inicial do primeiro secretário. Esse, sentado em uma sala hexagonal da qual era possível avistar pisos inferiores e superiores, examinava as propostas.

A mesa do secretário ficava em um dos lados do hexágono, na maioria das outras haviam estantes e armários cheios de papéis, que aparentavam ser projetos. Num dos lados dessa sala inicial, provavelmente haveria uma entrada (sua descrição nunca foi confirmada), mas, com certeza havia uma saída pela qual se chegava a outra sala hexagonal.
Quem chegasse nessa segunda sala, chegaria também ao segundo secretário. Este, invariavelmente, encontra-se muito ocupado ao telefone e faz gestos para que a pessoa avance até a próxima sala. Nesse hexágono não se encontra nenhum funcionário (somente o filho de um deles, que se diverte observando “gravuras” na internet não dando a mínima para a presença de outras pessoas no recinto). A pessoa, geralmente cansa-se e tenta buscar informações no próximo hexágono por conta própria…invariavelmente, acaba perdendo-se nos meandros da burocracia.
Existe uma certeza borgiana (ou nietszcheana ou russeliana) de que em uma das estantes do palácio, em algum lugar está arquivado ‘o projeto’ que fará de GTI a cidade turística decretada pela verdade imperial…se esse projeto existe? Os matemáticos, baseados em probabilidade, dizem ser a existência desse projeto uma certeza. Porém, os funcionários reais consideram essa afirmaçào um mito (já que seriam eles a quem caberia a tarefa de vasculhar o palácio em busca do tal “projeto”).
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Os projetos que chegaram a ser apreciados pela majestade imperial partiram, em sua absoluta maioria, da própria nobreza geteiense. Membros da ascendente burguesia também tiveram o apoio do Imperador (mal sabe o desavizado soberano o fim que espera monarcas que apoiam burgueses…).
Enfim: perguntam os impacientes leitores: "Como investir no turismo em GTI?". A resposta é só uma: beneficiando-se das verbas advindas do tesouro real, ou seja, usando dinheiro público.
Assim, se o projeto der errado o investidor não leva prejuízo. O imperador pode culpar o “empresário” e tentar passar a “batata quente” p’ra frente…já o povo…





