
1
O monarca acordou assustado no meio da noite. Suava frio. Tinha um pressentimento estranho.
Algo não estava certo no reino de GTI.
Sua popularidade estava no ponto mais alto agora que tinha construído seu (primeiro ) lago. A população aclamava euforicamente suas idéias e ele precisava ter mais algumas brilhantes. Tarefa que o estressava.
Levantou-se transtornado. Foi a janela do quarto e viu seu reino. O Imperador sentia-se angustiado. Sentia falta de algo. Como não sabia o que era foi à geladeira e se empanturrou.
Feijoada de madrugada. Feijão frio com azeite. Esse esforço imenso esgotou suas forças. De volta a cama rapidamente dormiu.
É aí teve um sonho…ou um pesadelo…
2
O Imperador passeava pelas ruas de GTI. Em nenhum lugar as pessoas pareciam o reconhecer.
Ninguém o saudava de forma submissa como é o padrão nessas terras onde ainda vigora "algum" feudalismo.
Quando foi pegar seu carro para voltar ao palácio algo absurdo aconteceu: O Imperador havia sido multado. "Como? Ele, O Imperador, sendo multado?!?!?". Contorcia-se na cama angustiado.
Foi direto tirar satisfação com o policial autor daquela façanha.
— Você sabe quem eu sou? — gritou com o policial que virou-se para o Imperador com olhar de interjeição.
— Você sabe quem eu sou?- repetiu mais alto. O policial continuou sem nenhuma expressão no rosto, como um galã dos anos 40.
— SOU O IMPERADOR DE GTI — gritou no sonho o monarca (que parecia tentar abrir os braços na sua cama ).
O policial permaneceu impassível. Olhou de novo de cima embaixo o monarca. Tirou a calculadora do bolso. Pareceu fazer alguma conta. Observou de novo o monarca que de punhos cerrados parecia quere-lo intimidar e começou a rir.
Ria muito e de maneira escandalosa. No sonho o imperador teve a impressão de que o policial crescia a medida que gargalhava. Teve medo. O policial já tinha mais de 3 metros. Fugiu.
Pareceu-lhe, então, que o policial passou a gargalhar mais alto e de forma um tanto irônica.
3
A ordem estava quebrada.
GTI era uma cidade sem mando e o Imperador vagava sem rumo. Angustiado.
Para onde ir?
Lembrou-se de sua grande obra. Não nessas horas Zeus não poderia ajudar. Foi para o lago.
4
O que poderia fazer? Aquele nível de desordem mostrava que toda estrutura administrativa desabava. Pensou em convocar a Ordem Secreta do Játobas Místicos, que têm por lema zelar pelo bem-estar dos que vivem bem em GTI. Porém, não sabia onde era a sede de tal entidade e nem se seus secretos membros guardariam segredo sobre o caso.
Sentou-se na grama. Colocou-se na posição do pensador de Rodin. Levantou-se e chegou mais próximo do lago contemplando-o como que hipnotizado.
5

Não, o Imperador não era suicida.
Na verdade, por mais que tentasse pensar em alguma coisa nada vinha a sua mente. Esse nada se multiplicava e tomava espaço. Pouco a pouco perdeu a noção dos sentidos. Do que via, do que ouvia, do vento que lhe balançava a manta imperial. Nada sentia.
Por mais que tentasse pensar nada pensava. Nisso, sem querer, atingiu o Nirvana e contemplou a Verdade.
6
A verdade se refletia no lago. Olhava hipnotizado sua imagem. A verdade era sua imagem refletida no lago. (E como achou a Verdade bela!!! ). Atingiu tal estado de contemplação que não sabia mais o que era ele ou o que era o lago.
A harmonia se espalhava em todas as coisas.
Quando pensou em sair voando, como na cena final de Matrix, acordou.

7
Acordou com uma dor de barriga fortíssima. Correu para o banheiro. Lá rememorou o sonho enquanto apertava a barriga sentado na privada.
A lembrança de sua iluminação o deixou excitado a ponto de não conter um grito primordial (não se sabe se de dor ou de prazer ).
— Uhh!! — iria construir mais lagos.





