
I
Era noite. Tudo corria bem.
O equilíbrio voltara a GTI.
Mas o Imperador estava inquieto (outra vez).
Nada que pudesse ser dito oficialmente.
Ligou a TV. Não conseguia dormir.
Não sabia mais como realizar seu sonho.
Não sabia mais como GTI reluziria outra vez.
Os lagos já não faziam mais efeito.
Pensou em se aliar aos Punks
E construir a estação de esqui…
II
Era um filme americano.
Mais precisamente do Texas.
Aquela era a mais longa noite
Desde aquela do pesadelo,
Da Revelação! Do sonho!
O filme parecia familiar:
Pessoas de botas e chapéu conversando
E andando de um lado para o outro.
O Imperador roia as unhas todas.
Não sabia mais o que fazer.
Algo estava errado. Não sabia o quê.
O circuito oval continuava,
Os lagos estavam em seu lugar…
III
Era lindo! Uma linda cachoeira
Caindo do céu! Pessoas felizes, turistas chegando:
Uma maravilha! Os texanos todos felizes.
Era o filme. Era o petróleo. O Imperador chorava.
Todas as respostas estavam ali, na sua frente.
Agora só faltava encontrar o petróleo…

IV
Era terrível! O desespero tomava conta do Imperador
A tal ponto que boatos surgiram na cidade:
Estaria o Imperador doente?
As noites não eram mais as mesmas.
A visão dos poços jorrando
Tomava conta da sua cabeça.
O sonho se tornou pesadelo
Depois da revelação de Aladim:
"Não existe petróleo em GTI. Melhor assim.
Ninguém te acusará de ser um ditador sanguinário
Escondendo suas armas no fundo do lago."
Que surpreendente!As palavras de Aladim
Não acalmaram o Imperador.
Começaram os pesadelos.
Todos ficaram preocupados.
A solução viria do bêbado irônico…
V
Era fácil.
Agora o Imperador já sabia
A quem devia recorrer
Quando nem o Aladim podia ajudá-lo.
Estava decidido: iria à Caverna.
Saiu do Castelo Central.
Olhou no relógio.
Eram seis horas da noite.
Era sábado.
Foi em direção à Caverna.
Ouvia um barulho estranho.
Era repetitivo. Rítmico.
Mas não eram os carros do circuito oval.
Era ensurdecedor.
O barulho aumentava, aumentava…
VI
Era uma festa. Duas guitarras,
Um contrabaixo, bateria e vocal.
A Caverna estava uma bagunça.
Gente bebendo, pulando, gritando,
Usando orégano por todos os lados.
Os Punks tomaram conta da Caverna…
VII
Era uma loucura só.
Até o Imperador ficou tonto,
Mesmo não tendo bebido ou fumado nada.
Procurava pelos cantos góticos.
Procurava no meio da multidão.
Nada. Parece que o bêbado irônico
Realmente não estava ali.
Ou os Punks o esconderam.
Ou os Punks o mataram.
Ora, sempre os Punks.
Mas dessa vez os Punks pagariam…
VIII
Era ódio o que o Imperador sentia.
Despejava ódio pelos olhos.
Aladim veio saber o que era
E o Imperador deu-lhe um safanão.
Adentrou o quarto Imperial.
A vingança Imperial ele escrevia.
Aquilo que acabaria com os Punks
De uma vez por todas…
IX
Era Ele: o Imperador em pessoa!
Em cima do Jatobá Central,
Anunciando a decisão:
"As apresentações noturna dos Punks
Acabaram por decreto Imperial.
O uso do orégano está agora proibido".
Ninguém reclamou.
Agora, as apresentações são diurnas.
Entre usar orégano e contrariar o Imperador,
Os Punks preferem não usa-lo.
A fúria do Imperador acabara.
Agora ele encontraria o bêbado irônico.
Tudo caminhava bem…
X
Era agora ou nunca.
O desespero do Imperador
Chegou ao limite aquela noite.
Ele iria à Caverna ver o bêbado irônico.
O problema se resolveria.
GTI voltaria ao normal outra vez.
O Imperador saiu.
O silêncio peculiar da cidade
Permitia agora ouvir
As batidas repetidas das músicas
Dos carros do circuito oval.
O Imperador sentiu-se um tanto aliviado.
Lá estava a Caverna:
Há alguns metros de distância.
Alguns metros da solução…
XI
Era o bêbado Irônico.
Estava sentado na mesa do canto.
Estava meio gótico (era uma ironia).
O Imperador chegou. Pediu um conselho.
Explicou a situação. Implorou.
Ajoelhou-se. Nada.
O bêbado irônico continuava imóvel, gótico.
O Imperador nunca se rebaixou tanto.
Começou a chorar.
De repente, uma gargalhada.
Era o bêbado irônico.
A gargalhada ecoou e se espalhou.
Toda a caverna gargalhava.
O Imperador não entendia.
Mais uma ironia se concretizava…
XII
Era verdade. Aquele bêbado, finalmente!
O Imperador contou-lhe o sonho.
Chorou novamente e continuou a contar.
Queria uma luz.
Queria que o bêbado lhe dissesse,
Mesmo não sendo verdade,
Que em GTI petróleo havia.
A esperança não vingou.
Disse o bêbado: "Não há petróleo aqui.
A verdade é essa. Porém…"
O Imperador roia as unhas.
Comia os dedos, angustiado.
Não agüentava mais esperar.
O bêbado lhe disse: "Há água".
O Imperador disse, irritado:
"Disso eu sei melhor que ninguém.
Quantos lagos há em GTI?"
O bêbado manteve o suspense.
O Imperador não sabia se o matava
Ou se implorava pela resposta.
O bêbado sorriu e disse:
"Poços de água quente!"
Finalmente, a resposta…
XIII
Era tudo alegria.
O Imperador abriu um largo sorriso
E correu para o Palácio Central.
Chamou o Aladim.
Subiu no Jatobá.
Anunciou a boa nova.
Mas todos já sabiam o que ocorreria.
Todos esperavam a volta da tristeza.
A alegria não duraria muito…
XIV
Era a voz do povo.
A tristeza voltara a abater o Imperador.
Não sabia se a água jorraria
Por mais que o Aladim dissesse que sim,
Por mais que confiasse naquele bêbado.
A confiança só viria da ação.
Convocou logo o povo para o trabalho.
Faria o mais rápido possível.
Esperava assim diminuir a angústia.
Os poços seriam cavados…
XV

Era simples: O povo cavava.
O Imperador, maravilhado, assistia.
Maravilhado e angustiado.
Esperava cada segundo
Como se fossem horas de espera.
Esperando que a água jorrasse.
O povo cansava, se revezava.
Nada de água. Tudo seco.
O Imperador arrancava os cabelos.
Vendo a cena, o povo cavava mais.
Cada vez mais rápido.
Mais o Imperador se desesperava.
Mais o povo cavava.
A água não jorrava.
O Imperador chorava.
De repente, um pequeno esguicho.
Subtamente, um grande jorro.
Surpreendentemente, um grito.
Era o Imperador. Maravilhado!
Aliviado e emocionado!
Conseguiu mais uma vez.
XVI

Era de dar gosto:
A água jorrava, quentinha.
Como no filme daquela noite.
Mais poços seriam cavados.
O equilíbrio e a alegria voltaram.
GTI estava como antes.
Mais um ciclo se concretizou…





