¿Como entender o fascismo geteiense?
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As coisas em GTI se precipitaram. O projeto turístico exigiria todas as forças da sociedade direcionadas para o mesmo objetivo (os pensadores oficiais agora liam A Vontade de Poder de Nietszche).

O Imperador precisava impor seu poder de forma total. Para tanto não foi necessário inventar um plano fantástico que demonstrasse a iminência de um golpe que partiria das guerrilhas revolucionárias cefodianas. Não. Esse artifício Getúlio já utilizara. O Imperador queria inventar um meio novo de ter poder total. Nessa teve uma idéia que pensava original. Chamou seu vice-rei1 e lhe deu uma missão.

A missão do vice-rei

O vice-rei, seguindo a imperativa iluminação oficial, reuniu todos os órgãos de imprensa.
Foi fácil que todos concordassem em fazer uma corrente em torno das idéias do Imperador (até mesmo porque grande parte da arrecadação dessas entidades advêm dos tesouro real).

Não seria em GTI necessário criar um organismo de censura: cada entidade exerce uma total auto-censura de forma natural, não publicando nada que possa tirar o sono ou o apetite do Imperador (como o Imperador não gosta de cebola, a imprensa geteiense censura receitas que contenham esse alimento “nada nobre”).

Para não sair da reunião de mãos abanando, sem a criação de nenhuma associação para se beneficiar de verbas públicas, fundou-se a SATG. Essa entidade teria um grande poder em GTI, marcando a associação de toda imprensa geteinse em um mesmo conglomerado, com a atribuiçào de vigiar e punir. ¿O que vigiariam? Entende-se melhor quando se sabe o nome dado a essa instituição: Serviço Adjetival para fomentar o Turismo em GTI.

A essa agência cabia a tarefa de escolher os adjetivos com os quais deveriam ser reverenciadas as obras imperiais e a magnífica, e imperativamente bela, natureza geteiense.

A imponência, a grandiosidade, a beleza, deveriam ser exaltadas. Um adjetivo repetido poderia fazer um jornalista ser advertido. Um adjetivo omitido traria ao infrator a imediata perca do emprego.

A omissão de adjetivos ou o uso incorreto desses, isso é que a SATG deve vigiar.

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¿O totalitarismo geteinse seria um fascismo?

Pode-se perceber que o totalitarismo geteiense é um traço cultural. Por isso mesmo não podemos dizer que se trate de um simples fascismo.

É verdade que certos slogans fascistas podem e foram utilizados e adaptados a realidade geteiense. Alguns são meramente repetidos como o que diz “Acredita! Obedece! Luta!”. Outros tiveram que sofrer certa adaptação: enquanto os nazi-fascistas diziam “Quem tem aço tem pão!”, “Mais canhão, menos manteiga”, em GTI se diz, “Quem tem lago tem pão!” e “Mais lago, menos poeira” (esse último slogan aparece vinculado a manifestações de agricultores geteinses interessados na construção de uma hidrovia). Outros acabaram sendo mal adaptados e perdendo o sentido, como o que dizia “nada foi ganho na história sem derramamento de sangue”, que tornou-se “nada foi ganho na história sem turismo” num cartaz que explicava que os soldados de Gêngis Khan só conquistaram o seu grande império porque teriam feito turismo.

O totalitarismo geteinse em outros pontos também se aproxima do fascismo, como na veneração e na crença na infalibilidade do Imperador. Algo que chama muito a atenção é como o em GTI a ideologia imperial se propaga, como nos fascismos, pelas ondas radiofônicas.

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Assim como Getúlio criara a Hora do Brasil, em GTI temos algo como o Meio-dia do Imperador (nome incorreto, uma vez que os elogios começam a se propagar, de forma ininterrupta, a partir das onze horas). O principal locutor, considerado “a voz” do turismo geteinse, foi retirado do limbo por ser um fascista de longa data que, de tão totalitário, quando entrevista alguém (a não ser o Imperador) só ele mesmo é quem fala. Seu nome: Símio Fanta.

Símio passa horas e horas exaltando, e mesmo inventando, tradições tradicionais de GTI. Vale lembrar que a sede de fazer eventos que remontassem a tradição, unindo o povo em torno de uma causa, nos lembra os mestres da elite elitista da nobreza geteiense: Stálin e Hitler2.

A especificidade do fascismo geteiense

O totalitarismo geteiense não é simplesmente um fascismo. O que é então?

A soma de uma base (seria melhor dizer elite) totalitária e do sistema de ordens patriarcais vigorantes no império geteiense, fez surgir uma nova forma de governo : o Emperralismo Feudal.

Muitos podem pensar que o termo Emperralismo vêm simplemente de Império, quando se sabe que o nome emperador é sinônimo de imperador (vide Aurélio).

Em verdade, soma-se no vocábulo adotado para descrever o sistema de governo geteiense, uma referência ao sistema monarquico e a forma que esse age contra a oposiçào: emperrando sua vida pelo uso da burocracia. Sabia lição aprendida da mãe Rússia que por vezes acaba, indevidamente, fazendo-se sentir pelos partidários do regime. Alguns teóricos menos afeitos a neologismo falam simplesmente em clientelismo (não compreendem eles as minúcias das ações da corte em GTI).

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