
Em um texto famoso, "Como não usar o telefone celular", Umberto Eco divide inicialmente os possuidores de tal aparelho em cinco categorias:
- "pessoas fisicamente incapacitadas, ainda que sua deficiência não seja visível, obrigadas a um contato constante com o médico ou com o pronto-socorro";
- "aqueles que devido a graves deveres profissionais são obrigados a acorrer em casos de emergência";
- "os adúlteros";
- "pessoas incapazes de ir a qualquer lugar sem conversar fiado acerca de frivolidades com amigos e parentes de quem acabaram de se separar";
- "pessoas preocupadas em mostrar em público o quanto são solicitadas, principalmente para complexas consultas acerca de negócios."
A crítica de Eco se dirige primordialmente para à categoria (5). Infelizmente, porém, Eco falava em uma época em que os telefones celulares eram muito caros, e, por isso, marcavam tanto os excessos dos novos ricos ou dos apreciadores das bugigangas made in Taiwan. Por isso, podemos perdoa-lo por ter escrito coisas como:
"Ora, a divisão entre as classes é um mecanismo impiedoso e atroz, por força do qual o novo rico, mesmo quando ganha somas enormes, é marcado pelo estigma proletário atavico e não sabe como usar talheres de peixe, prende o macaquinho de ventosas na janela traseira da Ferrari, tem uma imagem de São Cristovão na cabine do jatinho ou então costuma dizer "manágment" e por isso nunca é convidado pela duquesa de Guermantes (e se tortura perguntando-se por que razão isso nunca acontece, já que sua lancha é tão comprida que quase poderia ser usdad como uma ponte de costa a costa).
O que eles não sabem é que Rockfeller não precisa de telefone celular, porque conta com um plantel de secretários tão vasto e eficiente que no máximo, se seu avô estiver morrendo, por exemplo, alguém chega e lhe sussurra alguma coisa no ouvido. O homem poderoso é justamente aquele que não é obrigado a atender todas as ligações, muito pelo contrário: nunca está para ninguém, como se diz. Mesmo ao nível executivo mais baixo, os dois símbolos de sucesso e posição são a chave do banheiro privativo e uma secretária para dizer "o doutor não está na sala".
Portanto, todo aquele que ostenta o telefone celular como símbolo de poder na verdade está declarando de público sua condição irreparável de subordinado, obrigado que é a pôr-se em condição de sentido mesmo quando está empenhado num abraço, a qualquer momento que o chefe o chamar, condenado a perseguir os credores noite e dia para poder sobreviver, perseguido pelos bancos, até mesmo durante a primeira comunhão da filha, por causa daquele título sacado a descoberto. Mas o fato de usar com ostenção o telefone celular é a prova de que não sabe dessas coisas, e confirma sua inapelável marginalização social."
Como já disse, infelizmente Eco falava em uma epóca em que o celular era uma cara novidade. Hoje o dialógo seguinte é possível e verídico:
— Qual é o número do seu celular?
— Eu não tenho celular…sou pobre.
— Mas hoje pobre também têm celular!
— Pensando bem, não sou tào pobre assim a ponto de ter um celular.
Logicamente, esse é um diálogo que parte da ala radical, que simplesmente condena o celular sem mostrar causas… apenas por condenar.
Não assumo essa postura… considero inclusive que o celular pode ser o mecanismo de uma nova estética, de uma nova sensibilidade… Das pessoas que vão ao Cinema, não conseguem ver o filme por terem que responder a muita chamadas, ficam extremamente populares, e ainda choram vendo a ultima cena do filme (Não considerem o exemplo exagerado, porque é verídico (o filme era O resgate do Soldado Ryan)).
De qualquer forma em GTI é necessário deixar o celular bem visível. Os homens comumente o "deixam" na altura virilha, para que possam sem bem vistos pelas geteienses (um celular de última moda colocado nessa posição estratégica pode melhorar enormemente a vida sexual de um habitante de GTI). Quando em algum Bar, ou Sorveteria, ou Pizzaria…é bom deixa-lo em cima da mesa (e se possivel ficar segurando, bolindo nele como quem diz: olha p’ra mim!).
É, de qualquer forma, hoje a manutenção de uma linha de celular pode ficar um pouco alta…mas, para esse problema a solução é simples e muito usada em GTI: na verdade é muito comum ver pessoas em orelhões usando o celular para a função que realmente é mais funcional: como agenda telefônica.





