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O bêbado irônico, cocheiro das realidades múltiplas, que por meio de sua retórica metafísica havia ins-pirado o projeto turístico de GTI se empanturrava numa mesa mo interior da Caverna.
O diálogo entre esse conhecedor das realidades paralelas (que as más línguas dizem ser um RPGista, ou seja, seguidor de uma seita satânica ) e o Imperador é de fato antológico e merece ser descrito em pormenores.
O homem da lâmpada (descrição usada por força do hábito ) com voz empostada anunciou:
— Eis que adentra esse recinto o Imperadorr — o bêbado irônico não agüentou e novamente começou a rir (ironicamente ) tapando a boca com a mão esquerda.
O Imperador atravessou a Caverna fazendo beicinho como Dom João VI: absoluto. Sentou-se numa cadeira na mesma mesa onde estava o bêbado ajuntando seu enorme manto.
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— Poderia eu sue majestade imperial converssar com você?
— Um, hummm….
— É que…sei que foi de você originalmente a idéia maravilhosa de ser GTI uma cidade turística…
O Imperador foi interrompido por uma gargalhada do bêbado:
— O que foi?
O bêbado se conteve, concentrou-se no copo e fez sinal com a mão, indicando não ser nada e pedindo p’ro Imperador continuar falando.
— Tá. Vou ser direto; parece que existe algo errado em GTI e não sei o que é… — o Imperador percebeu que o bêbado como quê tocado por suas palavras levantara a mão, com dedo em riste, como que pedindo a palavra — o que, pode falar…
— Primeiro sê me paga uma cerveja — disse o bêbado explicando o dedo levantado.
— Claro — respondeu o Imperador.
3

Muitas cervejas, muitas horas depois, quando o bêbado já tinha obrigado todos na caverna a escutar pela enésima vez uma cançào dum compositor holândes chamado Francisco e o
Imperador já pensava em desistir… o bêbado irônico resolveu falar. Para tanto fez uma exigência: como passo de iniciação mística queria que o monarca tocasse no sagrado abobrão mantido desde tempos imemoriais em uma das mesas da Caverna….e disse o embriagado
— O negócio é o seguinte… GTI têm sua história e suas tradiçòes… existe um clube para classe A e um clube p’ra classe B, o bar caro 1 e o bar caro 2 e, por enquanto, só existe um lago. Então, por isso, acaba ocorrendo uma luta de classes que não deixa o lago dar certo como deveria: inauguram uma boate perto de um forró, cercado de terreno baldio… a nobreza tem que suportar o povão vendendo espetinho de gato? No lago tava dando muito povão, que sem dinheiro e bêbado é sinônimo de facada… por aquilo alí não vêm turista!
O imperador levantando o dedo iluminado disse:
— É preciso construir outro lago!
O irônico gargalhou as pampas e sério sentenciou:
— É, faz um bem maior, longe da cidaade, onde seja possível organizar as coisas, ou seja, separar o povão farofeiro da nobreza geteiense. Separa uma parte do lagão pros nobre, retoma a idéia do Clube de Águas Quentes e faz todos eles comprarem ação de novo — mas explica que só eles vão poder pescar os peixes reais — enfim, faz uma aparthaid organizado… separa a nobreza dos que não tem sangue nobre.
— É pra garantir… construo outro lago para os vilenses… — disse o Imperador.
O bêbado começo a rir freneticamente… não parava mais… nisso a comitiva imperial foi embora (sem pagar a conta ).






