¿Como encontrar um bêbado irônico em GTI? (Parte I)
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O Imperador continuava um tanto preocupado. Nada que pudesse ser dito oficialmente. (Como se sabe, oficialmente em GTI todas as pessoas são felizes. A medida provisória a muito tempo se tornará lei (tendo por objetivo atrair turistas dissidentes de Passargáda ).

O Imperador rangia os dentes em seu palácio. Mesmo com sua mística iluminação (ver O Sonho do Imperador )nuvens ainda pairavam sobre seus pensamentos. Algum mecanismo emperrava a ordem circular de GTI.

Sem o cigano Melquíades por perto as respostas ficavam difíceis. O Imperador tinha que contar com seu conselheiro e filósofo particular: Aladim.

Por parcimônia Aladim não mora numa lâmpada, como nas histórias arabescas, mas em uma botina. Esfrega-se a botina com esterco bovino e o sábio aparece ( por isso mesmo são muito comuns em GTI as tentativas de encontrar novos eruditos em quase todas as botinas. Isso explica o culto a botina e ao esterco bovino em GTI ).

O Imperador, aconselhado por tal sábio, decidiu procurar o verdadeiro fundador do projeto turístico de GTI. Pelas pesquisas historiográficas descobriu-se que a idéia não era originalmente do errante cigano Melquiades e sim de uma figura mística, poeta, vidente: um (in)certo bêbado irônico (ver ¿Como conhecer a pequena burguesia de GTI? ).

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"O bêbado irônico, como encontra-lo?", perguntavam-se o Imperador e o sábio Aladim (que para bem lembrar é discípulo do Metre Pangloss ).

Num primeiro momento trataram de mapear os locais da cidade onde eram vendidas bebidas alcóolicas e biotónicos: bares, butecos, pocilgas, mercearias, farmácias, etc.

Aladim tinha por certo que tal bêbado irônico, procuraria lugares distantes, periféricos em relação aos bares caros da cidade. Numa sentença: "o bêbado irônico devia "esconder-se" longe do circuito oval".

Nesse caminho de raciocínio foram meses de busca e nada de resultados. Quando Aladim, numa noite chuvosa, teve uma iluminação. Foi procurar o Imperador. "Por ser irônico esse bêbado deve na verdade se ocultar dentro do circuito oval mesmo!!!"

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Mesmo reconhecendo a lógica e o mérito do pensar de Aladim o Imperador não podia deixar para os subalternos essa busca: precisava ele mesmo ir a campo se quisesse desvendar esse mistério.

Se queria algo bem feito deveria fazer ele mesmo.

Seguiu com Aladim para o circuito oval afim de encontrar, enfim, o bêbado irônico.

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A cidade circulava com sua costumas logicidade.

O Imperador inicialmente tentou pedir informações com os garçons do Bar caro I, contudo, entretanto, outrossim, seguindo uma tradição muito antiga, esses servidores nunca atendem ninguém com presteza. Por trabalharem em uma das instituições mais instituídas de GTI sabem ser um imperativo para os clientes freqüentarem seu bar (eles não tem opção ), por isso mesmo, podem os tratar com certo desprezo e olhar superior e, principalmente, não os ouvir chamando, acenando, gritando…Nesse papel ficou o Imperador tentando conseguir informações com tais elementos da ordem geteiense, que, como é tradicional: não deram a mínima.

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O Imperador seguindo seu caminho encontrou um grupo de punks que lhe ofereceram informações desconexas sobre onde encontrar o bêbado irônico: enquanto uns juravam tê-lo visto andando de skate na imediações do CEFOD, outros negavam veementemente tal versão dizendo que o bêbado irônico estaria e verdade próximo ao local onde se realizam as feiras semanais de GTI acompanhado de uma bêbada stripper.

O Imperador sabia não poder confiar nos punks. Agradeceu e os mandou ir pro CEFOD.

Continuou sua busca.

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Depois de conversar com uma dupla sertaneja (todos os cantores sertanejos são convictos em seu apoio a monarquia e aos valores tradicionais da terra de quem tem terra ) no Bar Caro 2 O Imperador sentiu-se desanimado: ninguém sabia do bêbado irônico.

Foi quando Aladim chamou a atenção do monarca geteiense. "Ouça".

— Há, há, há…

Uma risada irônica ecoava pelo circuito oval. Aladim e o Imperador compreenderam: descobrindo de onde vinha tal gargalhada teriam descoberto o esconderijo do bêbado irônico.

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Sim. Ainda estavam no circuito oval. Bem de frente de uma ds universidades de GTI. A risada com certeza vinha dalí. O Imperador pediu ao seu sábio de plantão que desvendasse o que dizia o letreiro do local. Aladim concentrou-se. Pouco a pouco sua face enchia-se de espanto e ele compreendia o nome do local:

— A Caverna.

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O espanto de Aladim era justificável: alí se bebia cicuta em meio a comentários disconcertantes, promoviam-se intrigas intelectuais citando Freud, Jung, Engels e Marx; desvendavam-se profecias apocalípticas a partir da interpretação de letras de rock…a Caverna de Zoroastro e Platão…um lugar único em uma cidade imaginária onde sombras tornam-se reais e realidades camuflam-se sombras…aí poetas imaginários de cidades imaginárias imaginam não existir e introduzem um signo caótico na circularidade geteiense.

Aladim sabia: era perigoso entrar alí!!!

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